Manutenção preventiva vs corretiva: o que sai mais barato a uma PME

Atualizado a 12 de outubro de 20266 min de leitura

Manutenção preventiva vs corretiva é, para uma PME, a escolha entre pagar de forma previsível ou pagar quando calha — normalmente no pior momento. A resposta direta: em tudo o que pára a empresa quando falha (servidor, rede, internet, email, backups), a manutenção preventiva sai mais barata ao fim do ano. A corretiva fica reservada para o que é barato, substituível e não crítico.

Este artigo mostra a diferença com contas em euros, para que possa aplicar o raciocínio à sua empresa.

As duas abordagens, em linguagem de gestão

Em linguagem simples: a manutenção corretiva é como só ir ao mecânico quando o carro avaria na autoestrada. A preventiva é fazer a revisão, trocar os pneus antes de estarem carecas e ter um painel que avisa quando algo começa a falhar. As duas reparam o carro. Só uma evita que fique parado na berma.

Corretiva Preventiva
Quando se age Depois da avaria Antes da avaria, com plano
Custo Imprevisível, concentrado em crises Fixo e orçamentável
Quem deteta o problema O utilizador, quando já não consegue trabalhar A monitorização, muitas vezes antes de o utilizador notar
Tempo de resposta Depende da disponibilidade de um técnico Definido em contrato
Problemas recorrentes Repetem-se: corrige-se o sintoma Resolve-se a causa
Conhecimento do parque Cada técnico começa do zero Inventário e histórico sempre atualizados

O que inclui, na prática, a manutenção preventiva

  • Atualizações de segurança aplicadas de forma controlada, fora do horário de trabalho quando possível.
  • Backups diários com testes de reposição. Um backup que nunca foi testado é uma esperança, não uma garantia — veja as nossas soluções de backup.
  • Monitorização alarmística de discos, servidores, firewalls, rede e ligações à internet, com alertas a chegar à equipa técnica e não ao utilizador.
  • Revisão periódica de contas e permissões: quem saiu, quem tem acessos a mais.
  • Inventário com garantias e fim de suporte, para que a renovação seja planeada e não forçada por avarias. Explicamos os prazos em quando trocar um computador.
  • Relatório periódico à direção: o que foi feito, o que está em risco e o que vem aí.

A diferença entre vigiar e reagir está detalhada no artigo sobre monitorização proativa vs suporte reativo.

Exemplo: quanto custa o modelo corretivo numa empresa de 20 postos

Os números seguintes são um exemplo, não uma estatística. Servem para mostrar o raciocínio. Substitua os pressupostos pelos da sua empresa.

Pressupostos do exemplo

  • Empresa com 20 postos de trabalho.
  • Custo total de cada colaborador para a empresa: 25 € por hora.
  • Cada posto tem, em média, um pequeno incidente por mês (impressora, palavra-passe, lentidão, email) que faz perder 1 hora, contando com a espera por ajuda.
  • Uma paragem grave por ano (servidor, internet ou rede) que deixa as 20 pessoas sem trabalhar durante um dia de 8 horas.
  • 30 horas por ano de técnico chamado avulso, a 60 € por hora, sem contar deslocações.
Rubrica (exemplo) Cálculo Custo anual
Pequenos incidentes 20 postos × 12 meses × 1 h × 25 € 6.000 €
Paragem grave 20 pessoas × 8 h × 25 € 4.000 €
Técnico avulso 30 h × 60 € 1.800 €
Total 11.800 €

Ficam de fora custos difíceis de quantificar, mas muito reais: dados perdidos sem backup válido, faturas que não saem a tempo, clientes que esperam, horas extra para recuperar trabalho.

E com manutenção preventiva? Continuando o exemplo, admita que a monitorização, as atualizações e o suporte com tempos de resposta definidos reduzem os pequenos incidentes para metade e encurtam a paragem grave para 2 horas. O tempo perdido desce para 3.000 € + 1.000 € = 4.000 € por ano. São 6.000 € de tempo recuperado, a que se somam os 1.800 € de técnico avulso que deixam de existir: cerca de 7.800 € por ano. É esse o valor que paga, total ou parcialmente, a avença — antes de contar com o risco de perda de dados que deixa de correr.

O valor da hora parada muda muito de empresa para empresa. Mostramos como calcular o seu em quanto custa uma hora de empresa parada.

Quando a manutenção corretiva ainda faz sentido

Não é tudo preto no branco. A abordagem corretiva é razoável para:

  • Equipamento barato, com substituto disponível (um rato, um teclado, um monitor secundário).
  • Equipamento sem dados e sem impacto na operação, como uma impressora de apoio.
  • Componentes que se trocam mais depressa do que se diagnosticam.

O erro é aplicar a mesma lógica ao servidor, à firewall, à ligação à internet ou ao email. Aí, cada hora parada multiplica-se pelo número de pessoas que deixam de trabalhar.

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Como passar de corretiva a preventiva em cinco passos

  1. Inventário: saber o que existe, de quem é e em que estado está.
  2. Backups: garantir uma cópia fora das instalações e testar a reposição.
  3. Monitorização: ligar alertas aos equipamentos críticos e afiná-los para não criar ruído.
  4. Janelas de manutenção: definir quando se atualiza e se reinicia, sem surpresas para a equipa.
  5. Plano de renovação: pôr no orçamento as trocas dos próximos dois a três anos.

Na DataRoad, estes cinco passos fazem parte do arranque de qualquer contrato IT Unlimited. O escalão Essential inclui suporte remoto e telefónico, e as deslocações ao local são orçamentadas à parte. O Premium inclui a assistência no local. Em todos, a monitorização alarmística e a segurança estão incluídas.

Um caso real: monitorização contínua na Boost Portugal

Em 2018, a Boost Portugal — empresa de animação turística e mobilidade alternativa, que começou com a marca GoCar em Lisboa — celebrou com a DataRoad um contrato anual de assistência mensal e monitorização contínua de todos os seus sistemas de informação. O contrato inclui apoio permanente aos utilizadores, soluções de backup, manutenção da central telefónica IP, redundância de internet com fail-over, monitorização remota, alarmística e reporting de disponibilidade.

É o modelo preventivo completo: a ligação à internet tem alternativa automática se uma falhar, os sistemas são vigiados e a direção recebe relatórios. Leia o caso Boost Portugal.

Perguntas frequentes

A manutenção preventiva elimina todas as avarias?

Não. Reduz a frequência e, sobretudo, o impacto. Quando algo falha, há monitorização para detetar cedo, backups testados para repor e um técnico com o histórico do parque.

Qual é a diferença entre manutenção preventiva e monitorização?

A monitorização é uma parte da manutenção preventiva: vigia os equipamentos e avisa quando algo sai do normal. A manutenção preventiva inclui também atualizações, backups, revisão de acessos e renovação planeada.

Uma empresa de 15 postos justifica um contrato de manutenção preventiva?

Na maioria dos casos, sim, se depender de email, ficheiros partilhados e internet para trabalhar. Faça as contas com os pressupostos do exemplo deste artigo, adaptados à sua realidade.

A DataRoad faz manutenção corretiva pontual?

Não. A DataRoad trabalha apenas em regime de contrato, com empresas com mais de 10 postos. O contrato é anual, com renovação automática e 60 dias de pré-aviso, sem fidelização.

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